A crise social, política e de segurança no Haiti tem impulsionado a migração de milhares de pessoas em busca de melhores condições de vida. A violência de gangues armadas, intensificada desde 2018, somada à falta de oportunidades econômicas, tem levado famílias inteiras a deixarem o país, abrindo mão de bens como casas, terrenos e veículos para tentar recomeçar no Brasil.
Um dos principais pontos de entrada desse fluxo migratório é o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. De acordo com a Polícia Federal, cerca de 600 haitianos chegam semanalmente em voos fretados ao terminal. Apesar da frequência, não há uma explicação oficial para a concentração dessas operações.
Sem rota comercial direta entre Haiti e Brasil, os voos fretados podem custar até R$ 11 mil por passageiro. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil indicam que uma companhia aérea equatoriana concentra boa parte dessas viagens, com dezenas de operações registradas ao longo de 2026.
O aumento do fluxo acompanha o crescimento na emissão de vistos para haitianos. Informações do Ministério das Relações Exteriores apontam avanço expressivo, especialmente nos vistos de reunião familiar, que permitem a estrangeiros se juntarem a parentes já residentes no Brasil. Apenas entre janeiro e início de abril deste ano, mais de 9,5 mil vistos foram concedidos.
Apesar disso, o governo federal ressalta que a emissão de vistos não garante a entrada no país, já que a documentação é analisada pela Polícia Federal nos pontos de controle migratório, podendo haver recusa em caso de irregularidades.
Embora a maioria das chegadas ocorra de forma regular, um episódio recente chamou atenção: um voo foi retido em Viracopos após a identificação de vistos falsos apresentados por mais de 100 haitianos. O caso evidenciou fragilidades nessa rota migratória e segue sob investigação.

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